Resumo

  • Dívida privada é uma solução em potencial para investidores institucionais em busca de rendimentos e correlações baixas com a volatilidade do mercado público e com taxas de juros crescentes;

  • Mudanças estruturais nos mercados de renda-fixa — liquidez decrescente e um aumento nas correlações de ativos — têm aumentado a predisposição dos investidores para trocar liquidez por renda e diversificação;

  • A complexidade do mercado de dívida privada requer due diligence na seleção de gestores de ativos experientes com um histórico bem-sucedido na criação de portfólios de empréstimos privados diversificados;

Crédito alternativo abarca rendimentos baixos e crescente risco no mercado público

A dívida pública é uma solução em potencial para investidores institucionais que se deparam com rendimentos baixos, alta volatilidade de mercado e taxas de juros crescentes. Os investidores têm recorrido ao crédito alternativo como opção de alta renda corrente, baixas correlações com mercados públicos e riscos de inadimplência menores do que aqueles gerados por spreads de crédito. Empréstimos privilegiados alavancados, principalmente aqueles concedidos a empresas de médio porte, estão entre os que mais crescem dentre as opções de dívida privada, já que os bancos contingenciam sua exposição aos tomadores de médio porte. Por meio de estruturas de renda variável, empréstimos alavancados têm o potencial de aumentar a renda com menos responsividade de preços, conforme as taxas de juros se normalizam.

Apesar disso, investidores institucionais ainda investem pouco em dívida privada por desconhecerem o perfil risco/retorno atrativo dessa modalidade comparado aos ativos de renda fixa tradicionais. Existem fortes tendências por trás da demanda por dívida privada, mais especificamente por empréstimos privilegiados para empresas de médio-porte. Em primeiro lugar, empresas de previdência privada e de seguros têm se esforçado para atingir as taxas de retorno almejadas, em meio aos mais baixos rendimentos de renda-fixa tradicional registrados até hoje. Sua capacidade de aumentar o risco na busca por retornos é limitada por suas responsabilidades e no caso de empresas de seguro, pelas exigências de capital. Em segundo lugar, mudanças estruturais nos mercados de títulos, incluindo liquidez decrescente e um aumento nas correlações de ativos, vêm mudando a forma de pensar dos investidores sobre liquidez e risco. Investidores de longo-prazo que podem comprar e manter estão mais propensos a trocar liquidez por rendimentos maiores — o “prêmio por iliquidez” — e volatilidade mais baixa para melhorar a combinação ativo-risco. Há também uma predisposição para aumentar a exposição à dívida privada de grau subinvestimento com acordos rígidos e outras formas de proteção que ajudam a reduzir os índices de inadimplência e perdas. Em terceiro lugar, após décadas de consolidação no setor, os bancos têm restringido empréstimos para empresas de médio-porte, devido a um aumento nos encargos de capital dos empréstimos para esse segmento. O mercado de médio-porte - que gera quase US$14 trilhões em receita combinada, ou cerca de um terço do PIB1 do setor privado nos EUA - necessita de acesso rápido ao capital para crescimento, aquisições alavancadas e outros usos. Gestores de ativos não bancários têm preenchido esse vazio com empréstimos privilegiados diretos para empresas de médio porte que oferecem aos investidores rendimentos mais altos e riscos de inadimplência mais baixos em troca de iliquidez.

A dívida privada possui características de risco e de retorno atrativas. Além disso, o seu histórico operacional de melhores retornos ajustados ao risco, combinados a uma série de elementos de rendimento e risco em diferentes categorias, tornam a dívida privada uma alternativa atraente em relação aos investimentos tradicionais em renda-fixa e ações. Suas vantagens incluem:

  • Rendimentos significativamente maiores do que aqueles oferecidos pela dívida pública de grau similar para compensar pela iliquidez;

  • Devido a contratos firmes, monitoramento pela gerência e outras formas de salvaguarda, oferece os mais baixos índices de inadimplência e de perdas registrados até hoje comparados a títulos públicos com altos rendimentos;

  • Benefícios diversificados baseados em correlações baixas com ativos tradicionais;

  • Risco de taxa de juros mais baixa para empréstimos alavancados que utilizam estruturas de renda-variável de menor duração.